JURUÁ (AM) – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou, em coletiva nesta terça-feira (27), um trágico detalhe que passou despercebido durante os primeiros momentos da investigação sobre a morte de um menino de 3 anos em Japurá (a 744 km de Manaus): a criança havia sido envenenada, mas, inicialmente, acreditava-se que ela estava apenas assustada por ter presenciado o espancamento da própria mãe pelo pai.
O homem, de 51 anos, foi preso em flagrante na segunda-feira (26) pela morte do filho e por agredir a ex-companheira, de 28 anos. A prisão foi realizada pela 59ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) com apoio da Guarda Civil Municipal.
Conforme o delegado Jandervan Rocha, responsável pelo caso, após a agressão contra a mulher no quarto de um hotel, o suspeito foi preso e a criança, que parecia apenas estar em estado de choque, foi entregue a um familiar. Horas depois, já na cela, o pai passou mal e foi levado ao hospital. Foi somente nesse momento que a polícia soube que o menino também havia sido internado intoxicado. A criança, infelizmente, não resistiu.
“Apesar das tentativas de reanimação, o menino foi a óbito, e a equipe médica informou que a causa provável da morte foi envenenamento”, explicou o delegado.
Agressão e vingança
O casal, que se relacionava há oito anos, estava separado havia dois meses. No sábado (24), a mãe entregou o filho ao pai, que alegou que viajaria com a criança. No dia seguinte, ao vê-lo consumindo bebida alcoólica na presença do menino, a mãe pediu o filho de volta, mas foi negada.
O homem levou a criança a um hotel e, quando a ex-companheira o seguiu, agrediu-a com um soco na frente do filho, fraturando seu dente e causando sangramento. A mulher foi socorrida, e a polícia, ao chegar ao quarto, prendeu o homem, que estava abraçado ao menino.
Durante a vistoria, foram encontrados copos com uma substância escura semelhante ao veneno “chumbinho”. As investigações indicam que o homem administrou a substância no filho por vingança emocional.
O suspeito está internado após também ingerir parte do veneno, mas sem risco de morte. Os materiais apreendidos e amostras biológicas da criança foram encaminhados para perícia. O diretor do IML, Sérgio Machado, afirmou que tudo indica morte por envenenamento.
O homem responderá por homicídio qualificado e por lesão corporal grave e violência psicológica contra a ex-companheira. Ele permanece à disposição da Justiça.