MANAUS (AM) – A fachada de uma respeitável instituição de ensino infantil da rede privada de Manaus escondia um segredo abominável. Na manhã desta quarta-feira (29), a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) cumpriu um mandado de prisão preventiva contra o próprio diretor da escola, um homem de 54 anos. Ele é investigado pelo estupro de vulnerável de três alunas com idades de 4, 6 e 7 anos.
A prisão foi executada dentro da escola, localizada no bairro Santo Antônio, Zona Oeste da capital amazonense, após decisão judicial. O local que deveria ser sinônimo de acolhimento e aprendizado tornou-se, segundo as investigações, cenário de crimes meticulosamente repetidos.
A investigação ganhou forma quando uma das vítimas, uma menina de 7 anos, reuniu coragem para revelar aos pais. Segundo o depoimento colhido pela polícia, o diretor a conduzia, junto com outras duas colegas, para uma sala reservada. Ali, longe de qualquer testemunha adulta, ele as colocava no colo e praticava atos libidinosos.
O delegado Jefferson Vicente, titular da Depca, detalhou que a pequena chegou a reagir em algumas ocasiões, batendo na mão do agressor num gesto de defesa instintivo, mas os episódios não cessaram. Movido pelo desespero, o pai procurou os responsáveis pelas outras crianças mencionadas no relato e todos procuraram a polícia.
A Polícia Civil ouviu as mães das vítimas e realizou os depoimentos especiais das crianças. O material colhido foi considerado suficientemente sólido para que a autoridade policial representasse pela prisão preventiva do investigado. O pedido foi acatado pelo plantão do Poder Judiciário, e o mandado, cumprido de imediato.
O alerta
O delegado Jefferson Vicente não descarta a possibilidade de que o diretor tenha feito outras vítimas ao longo do tempo. Ele fez um apelo direto aos pais e responsáveis: a conversa franca e amorosa dentro de casa é a primeira barreira contra o abuso.
Familiares de crianças que estudam ou estudaram na instituição e que suspeitem de situações semelhantes podem procurar a Depca para prestar informações. O sigilo e o acolhimento são garantidos.
O diretor responderá pelo crime de estupro de vulnerável, tipificação que dispensa violência ou grave ameaça quando a vítima é menor de 14 anos. O investigado permanecerá à disposição da Justiça.