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Sargento da PM que tentou m@tar cantor DuBarranco em Manaus visitava lojas enquanto estava ‘pr3s0’ pelo cr1me

O crime ocorreu na noite de 9 de agosto de 2025, na Zona Centro-Sul da capital. Foto: Reprodução

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MANAUS (AM) – O sargento da Polícia Militar Saimon Macambira Jezini vai a júri popular pelo atentado a tiros contra o músico Eduardo Oliveira, conhecido como Dubarranco, sua esposa e a filha de apenas 4 anos, ao mesmo tempo em que investigações e reportagem exibida no Fantástico revelam que ele desfrutava de uma rotina de liberdade incompatível com a condição de preso. A decisão judicial contrasta com os flagrantes de câmeras de segurança que mostram o militar fazendo compras e circulando desacompanhado por Manaus, enquanto o músico ainda enfrenta as graves sequelas do ataque.

O crime ocorreu na noite de 9 de agosto de 2025, na Zona Centro-Sul da capital. Dubarranco deixava um show no bairro Parque Dez e estava no carro com a família quando o veículo foi alvo de diversos disparos feitos por um homem em uma motocicleta branca. Segundo o Ministério Público do Amazonas, o sargento planejou o atentado por “ciúme possessivo e vingança”, ao descobrir que o músico havia se relacionado com sua atual companheira durante uma separação temporária. Para executar a ação, Saimon contratou outro policial militar, o cabo Jobison de Souza Vieira.

Agora, os dois réus serão levados ao Tribunal do Júri de Manaus, conforme decisão do juiz Fábio César Olintho de Souza, da 1ª Vara. O magistrado apontou provas contundentes da materialidade do crime e destacou que o atirador assumiu conscientemente o risco de matar toda a família ao abrir fogo contra o carro parado em um semáforo.

Dubarranco foi atingido por quatro tiros, sofreu fraturas graves e perdeu o nervo radial, com sequelas permanentes que o impedem de voltar a tocar. A filha, que estava em seu colo, levou três disparos, teve o pulmão perfurado, o braço fraturado e precisou de seis bolsas de sangue em estado gravíssimo. A esposa do cantor foi baleada na perna. Todos sobreviveram após atendimento médico intensivo.

Em outubro de 2025, a Operação Desbarranco prendeu o sargento. No entanto, a prisão no extinto Núcleo Prisional da Polícia Militar não representou, de fato, encarceramento. No dia 31 de janeiro de 2026, câmeras de segurança flagraram Saimon circulando livremente por uma loja de departamentos de Manaus em um carro de luxo branco, acompanhado da esposa e de outro homem.

Sem escolta e sem vigilância, ele escolheu e testou perfumes calmamente, caminhou pelos corredores testando uma máquina de cortar grama e, em tom de deboche e risco, manuseou e brincou com um facão de grande porte no interior do estabelecimento.

“Não havia nenhum pudor e não havia nenhum controle”, resumiu o promotor de Justiça Armando Gurgel, ao denunciar que as saídas eram facilitadas mediante pagamento de propinas que variavam de R$ 50 a R$ 70.

O escândalo ganhou dimensão nacional com reportagem do programa Fantástico, da TV Globo. As imagens do sargento em pleno consumo geraram forte reação e levaram o Governo do Estado a desativar a unidade prisional que funcionava como uma “colônia de férias” para acusados de homicídios, estupros e tráfico.

Saimon Macambira e os demais detentos foram transferidos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM/AM), instalada nas dependências reformadas do antigo Cefec (Penitenciária Feminina). A estrutura foi projetada para manter os policiais separados dos presos comuns, mas sob a vigilância das muralhas do sistema penitenciário.

 

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