RIO DE JANEIRO – A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) investiga a execução brutal do mototaxista de aplicativo Maicon Alisson Lourenço, de 33 anos, encontrado morto nesta quarta-feira (30) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O corpo apresentava marcas de tiros e graves sinais de tortura, confirmando o clima de ameaças que criminosos vêm impondo a mototaxistas de aplicativo em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas.
Morador da comunidade do Corte 8, área sob influência do Comando Vermelho (CV), Maicon aceitou uma corrida na tarde de segunda-feira com destino ao bairro Pantanal. Ao entrar em território controlado pelo Terceiro Comando Puro (TCP), acabou interceptado. A principal linha de investigação aponta que o trabalhador foi confundido com um integrante da facção rival apenas por residir em região sob domínio do grupo oposto.
“Eles começaram a matar trabalhadores pelo simples fato de estarmos cumprindo nossa rotina em áreas controladas pelo tráfico”, desabafou um mototaxista ouvido pela reportagem.
O desaparecimento de Maicon foi percebido quando ele não apareceu para buscar a filha pequena na escola, compromisso que cumpria todos os dias. Pouco depois, amigos e conhecidos começaram a receber mensagens intimidatórias acompanhadas de uma foto estarrecedora: o mototaxista aparecia amarrado e sob custódia dos criminosos. Horas mais tarde, a confirmação do assassinato abalou a comunidade local.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) trabalha para identificar e prender os responsáveis pela execução. Em resposta ao crime e ao clima de terror imposto pelas facções, dezenas de mototaxistas e motoristas de aplicativo realizaram um ato de protesto pelas ruas de Duque de Caxias nesta quarta-feira (30).







