CURITIBA – A amazonense Thayane Smith, de 19 anos, rompeu o isolamento e revelou as profundas marcas emocionais que carrega desde o desaparecimento do amigo Roberto Freitas, o Betinho, durante uma trilha ao Pico Paraná, noticiado em todo o Brasil. De volta a Curitiba depois de quase sete meses longe da capital, ela desabafou e disse que sofre perseguição e que por conta disso teve depressão severa que a levou a pensar em tirar a própria vida.
Em entrevista, Thayane expôs a crueldade dos julgamentos precipitados que sofre diariamente. “Eu sofro bastante perseguição. Muitas pessoas me ameaçam, fazem julgamentos sem saber da história”, desabafou. O peso da hostilidade foi tamanho que inviabilizou sua permanência no curso de Biomedicina em Manaus, onde colegas a acusavam de ter abandonado o amigo e a pressionavam para desistir. “Eu não era bem-vinda lá”, lamentou.
A jovem também revelou uma ferida silenciosa: a omissão do próprio Betinho, que jamais usou sua visibilidade nas redes para defendê-la dos ataques. Thayane faz um apelo direto por empatia. “Peço que as pessoas sejam mais educadas, tenham mais consciência do que falam e do que desejam para outras pessoas”, pediu.
A defesa da jovem também partiu para o embate. O advogado Jackson Bahls, que assumiu o caso, já acionou o Ministério Público do Paraná e rejeita qualquer proposta de acordo que coloque sua cliente como única responsável pelo episódio. Ele contesta as multas aplicadas e rebate com indignação a sugestão de que Thayane indenize Betinho. “O Ministério Público oferece um acordo para ela de restituição de valores aos bombeiros, serviços comunitários e, pasmem, uma indenização à vítima, ao Betinho, que sempre se coloca como coitado”, criticou Bahls.
Para o advogado, Thayane também é vítima de um julgamento social enraizado. “Nós precisamos entender que ela era só uma menina de 18 anos. Há um machismo estrutural, um entendimento de que a culpa vai sempre recair sobre a mulher. Culparam uma mulher e elevaram a quase um santo o tal Betinho”, disparou, prometendo que a verdade ainda virá à tona.