MANAUS (AM) – O professor de jiu-jítsu Ângelo Márcio Bezerra Carioca, flagrado por câmeras de segurança agredindo um adolescente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Manaus, foi exonerado do cargo comissionado que ocupava no gabinete do vereador Coronel Rosses (PL), na Câmara Municipal de Manaus (CMM). A exoneração veio à tona poucas horas depois de as imagens viralizarem nas redes sociais, provocando uma onda de indignação e repúdio em toda a cidade.
Segundo dados do Portal da Transparência da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Ângelo Márcio Bezerra Carioca exercia cargo comissionado no gabinete de Coronel Rosses, recebendo remuneração líquida de R$ 3.171,16.
A cena, registrada na quarta-feira (29), no conjunto Ajuricaba, bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste da capital amazonense, é brutal. O vídeo mostra o momento em que o adolescente é agredido durante uma discussão. A vítima, um jovem que teria TEA, aparece sendo alvo da violência desproporcional de um homem que, além de faixa-preta, era também servidor público e, claro, adulto.
A versão do agressor
Na tentativa de conter o tsunami de críticas, Ângelo Márcio recorreu às redes sociais para dar sua versão. Ele alegou que o vídeo divulgado não mostra o contexto completo e afirmou que a discussão começou quando ele interveio para impedir que o adolescente maltratasse um animal de rua. Não satisfeito, sugeriu que a família comprovasse o autismo mostrando um laudo. Segundo o professor, ele também foi alvo de insultos e teve familiares ofendidos antes de perder o controle.
“Agir movido pela emoção e pelo coração. Não tenho orgulho dessa reação e peço desculpas por ter perdido o controle naquele momento”, declarou. O pedido de desculpas, no entanto, não foi suficiente para apaziguar a revolta popular nem para salvar seu cargo.
O professor de jiu-jítsu integra a diretoria do Clube Carioca Team de Lutas (CCTL), entidade que foi contemplada por um projeto de autoria do próprio vereador Coronel Rosses, que concedeu à associação o título de Utilidade Pública Municipal. Na prática, essa chancela habilita o clube a firmar convênios e acessar recursos públicos, dentro dos trâmites legais.
Até o fechamento desta reportagem, o vereador Coronel Rosses não havia se manifestado publicamente sobre a agressão. O caso deve ser investigado pelas autoridades policiais, enquanto a família do adolescente busca justiça.