TUPÉ (AM) – Uma megaoperação das forças de segurança do Amazonas interceptou mais de 700 quilos de skunk nas águas próximas à comunidade do Tupé, Zona Rural de Manaus. O carregamento, porém, não chamou a atenção apenas pelo volume: as embalagens da droga exibiam selos gerados por inteligência artificial com imagens estilizadas de figuras vestindo trajes de freira, óculos escuros, correntes douradas e uma estampa que remete à grife de luxo Louis Vuitton. A abordagem terminou em confronto armado e na morte dos suspeitos que faziam o transporte.
De acordo com o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Coronel Paiva, a identidade visual impressa nos pacotes vai muito além do apelo estético. “É justamente para identificar o consórcio, a quem pertence esse entorpecente. Então, eles fazem consórcio para trazer esses entorpecentes para passar pelos nossos rios e fazer a distribuição”, explicou. A assinatura visual funciona como uma espécie de etiqueta de propriedade das facções criminosas.
Confronto na escuridão
O coordenador da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), Juan Valério, detalhou que os suspeitos reagiram com violência à aproximação policial. “Eles não só empreenderam fuga, como atentaram contra a vida dos policiais, atirando em direção às nossas lanchas. Foi iniciado o confronto e, infelizmente, esses indivíduos vieram a óbito”, relatou.
Valério destacou que a tecnologia militar foi decisiva para conter o ataque no breu dos rios amazônicos. As equipes utilizaram equipamentos optrônicos de alta precisão, como binóculos de visão noturna e sistemas de visão terminal, o que permitiu localizar os alvos sem que as embarcações policiais fossem atingidas.
A apreensão do skunk não é um fato isolado. Ela se soma a uma sequência de interceptações relâmpago realizadas ao longo da mesma semana. O delegado-geral da Polícia Civil, Bruno Fraga, dimensionou o estrago financeiro causado ao crime organizado: cerca de R$ 14 milhões.




