SÃO GONÇALO – A madrugada de sábado (21) na BR-101, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, terminou com uma tragédia e um mistério: afinal, quem matou Alan de Souza Nascimento, de 32 anos, e por quê? O que se sabe até agora é que o auxiliar de lanchonete voltava para casa após o expediente quando foi atingido por um disparo durante uma ocorrência policial. O que está em disputa são as circunstâncias e os responsáveis pelo tiro que o matou.
De um lado, a versão da Polícia Militar: agentes do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões (Recom) foram acionados para atender a um arrastão na rodovia. Ao se aproximarem, criminosos teriam atirado, iniciando um confronto. Após os disparos, os policiais encontraram Alan ferido e tentaram socorrê-lo, mas ele não resistiu.
Do outro, o relato de uma testemunha que estava no carro com a vítima. Segundo ele, os bandidos já haviam fugido quando a viatura chegou. Ainda assim, os policiais teriam começado a atirar e um dos tiros acertou Alan.
Alan trabalhava em uma lanchonete no bairro Trindade e seguia para o Gradim, onde morava, acompanhado de colegas. O trajeto, antes rotineiro, foi interrompido quando criminosos fecharam o veículo na altura do Boaçu e obrigaram os ocupantes a atravessar o carro na pista, uma tática usada para bloquear a via e dificultar a aproximação da polícia durante o arrastão.
Minutos depois, a viatura do Recom chegou. A testemunha afirma que os assaltantes já tinham corrido. Ainda assim, os disparos começaram.
A PM informou que encontrou Alan ferido e o socorreu, chegando a contar com o apoio de uma ambulância que passava pelo local. A testemunha, no entanto, dá outra versão: Alan teria sido colocado na viatura, mas os policiais retornaram cerca de dez minutos depois, alegando não ter encontrado um pronto-socorro. “Botaram o Alan dentro do carro. Depois voltaram na contramão, já com ele sem vida”, relatou.
A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) instaurou inquérito e realiza perícia no local, além de ouvir testemunhas e policiais envolvidos. A PM, por sua vez, informou que Alan tinha anotações criminais por roubo e lesão corporal, informação que não consta nos relatos dos familiares, que o descrevem como trabalhador e exigem apuração rigorosa.
A morte gerou revolta na comunidade. Moradores fecharam a BR-101 no sábado, atearam fogo em objetos e pediram justiça. No domingo (22), o enterro de Alan no Cemitério São Miguel foi marcado por cartazes e faixas com uma cobrança.







