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Multicampeão de jiu-jitsu e policial Melqui Galvão d0p0u uma das vítimas e e$tuprou outra aos 14 anos em Manaus

Melqui Galvão responde por estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo informático. Foto: Reprodução

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MANAUS (AM) – O programa Fantástico, da TV Globo, revelou neste domingo (3) novos depoimentos sobre o caso do lutador e treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão, preso sob acusação de abuso sexual, ameaças e manipulação contra ex-alunas, algumas menores de idade na época dos fatos. Ele também teria tentado comprar o silêncio dos pais de uma das vítimas.

Ela contou que ainda era adolescente quando entrou para a equipe. Durante uma viagem para uma competição internacional, a menina afirma ter recebido um medicamento de Melqui para “relaxar” antes da luta. Depois de dormir, acordou com o treinador tocando seu corpo. “Ele colocou a mão dentro da minha blusa e foi a hora que eu acordei… eu fiquei com muito medo ali na hora e acordei num susto”, relatou.

Após chegar da competição, o caso foi relatado aos pais, que confrontaram o treinador, conhecido por treinar muitos campeões. Em áudio, que ainda será periciado, Melqui afirmava ter passado a mão enquanto a vítima dormia. Como forma de “reparação”, ele sugeriu aos pais uma sociedade em uma academia nos Estados Unidos.

Outra ex-aluna disse que começou a treinar ainda na infância e que os primeiros episódios de assédio aconteceram aos 12 anos. Aos 14, teria sido levada a manter relação sexual com o treinador. Ela afirmou que não denunciou na época por medo e pela influência que ele exercia.

Uma terceira vítima disse que não foi abusada sexualmente, mas relatou controle rígido da alimentação das atletas e insinuações de que a proximidade com o treinador poderia trazer benefícios.

Padrão de conduta

Segundo a delegada Mariene Andrade, novas queixas começaram a aparecer após a prisão do treinador, indicando um possível padrão de comportamento. “A gente percebe a existência de um padrão de conduta que consiste em uma aproximação inicial devido à figura de líder, de um atleta renomado. Ele ganha a confiança da vítima e da família. Aí vai escalonando as condutas até chegar aos abusos”, explicou.

A investigação também aponta que Melqui usava sua condição de policial civil para intimidar as vítimas, o que contribuiu para mantê-las em silêncio. “Uma das vítimas mencionou que ele falou claramente que, se ela fizesse a denúncia, ele saberia porque ele é policial civil”, acrescentou a delegada.

Três ex-alunas formalizaram denúncias até o momento. A Justiça de São Paulo autorizou a prisão temporária do treinador após identificar indícios de tentativa de interferir nas investigações e de destruir provas. Também foi decretada a quebra do sigilo de dispositivos eletrônicos dele.

Melqui Galvão responde por estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo informático. Ele foi preso em Manaus, onde atua como policial civil. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que ele está afastado do cargo enquanto o caso é apurado, e a Corregedoria-Geral abriu procedimento interno para verificar irregularidades funcionais.

 

Redação:

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