MANAUS (AM) – Em seu primeiro mandato de vereador em Manaus, Eurico Tavares (PSD) foi eleito com 8.118 votos, levantando a bandeira de transformação social e o jeitinho de “bom moço”. Engajado com projetos sociais, promovendo inclusão e oportunidade, um passado obscuro veio à tona nessa semana, expondo uma personalidade controversa não compatível com a imagem de suas redes sociais.
Em 2021, Eurico, quando tinha 25 anos, foi preso em flagrante por policiais das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam) com um revólver e munição por atirar em um funcionário. No Boletim de Ocorrência (BO) obtido com exclusividade pelo Expresso AM, consta que o crime ocorreu durante um passeio em uma embarcação no rio Amazonas, quando Tavares estava supostamente sob efeito de drogas.
O funcionário, que pilotava a lancha do atual vereador, relatou que foi chamado para encher balões quando o patrão, enquanto usava entorpecentes, segundo o BO, atirou em direção à sua cabeça. Um grito de “não!” de uma mulher fez com que o projétil passasse perto de seu ouvido. Em seguida, Eurico teria ameaçado: “Eu sou doido, eu vou te matar”, obrigando-o a tirar a farda da empresa e pular no rio. O funcionário foi resgatado por colegas após ligar pedindo ajuda.

Uma foto enviada com exclusividade à redação mostra Eurico sendo apresentado pela Rocam. Entretanto, o que chama atenção é a ausência dos procedimentos legais de flagrante após ser preso. Embora exista a foto que o mostra detido, não há qualquer registro do auto de prisão em flagrante pela autoridade da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), assim como a inexistência de um Inquérito Policial (IP).
O correto, conforme o Código de Processo Penal (CPP), é o registro da prisão na unidade da PC, o encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito, e por fim a audiência de custódia. O único registro do caso é o BO da vítima.

Violência doméstica
O episódio de violência não foi apenas um caso isolado com o funcionário, mas também com uma ex-namorada. Em 2022, a mulher de 28 anos registrou um BO na Delegacia da Mulher (DECCM), acusando Tavares de ameaças de morte, citando o Comando Vermelho (CV). No relato obtido pela Expresso AM, a moça relatou um relacionamento abusivo de dois anos, com violência psicológica, física (puxões de cabelo, socos, agarramentos) e controle excessivo.
Após o término de dois anos, em uma audiência de reparação de danos entre os dois no Fórum Henoch Reis, Tavares teria invadido seu carro e ameaçado: “Eu vou tomar providências com o Comando Vermelho para pegar teu pai ou teu irmão. Presta bem atenção no que tu vai fazer”. Diante do medo, a vítima também foi coagida a aceitar um acordo financeiro.
O caso deixou sequelas psicológicas, levando-a a usar medicamentos controlados. Ela afirma que Tavares tem bipolaridade e conseguiu medida protetiva após as ameaças.


A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e a Polícia Militar (PMAM) foram procuradas por meio do e-mail da assessoria, mas não se pronunciaram sobre os casos. As vítimas seguem com o sentimento de impunidade.
A equipe da assessoria do atual vereador foi contatada, mas até o fechamento desta matéria, não obtivemos retorno. O espaço segue aberto para o pronunciamento do mesmo.







