MANAUS (AM) – Um caso que expõe a persistência da violência doméstica e as falhas no sistema de proteção levou à quarta prisão de um homem de 29 anos, suspeito de aterrorizar sua ex-companheira, de de 23 anos, desde 2018. De acordo com a delegada Kássia Evangelista, a vítima vivia sob um regime de medo constante, com o agressor ameaçando incendiá-la e à sua filha de 17 anos. Ele também vivia mandando mensagens.
O histórico do homem é marcado pela reincidência. Ele já responde a vários processos por violência doméstica contra a mesma mulher e havia sido preso em três ocasiões anteriores (2022, 2024 e 2025). Sua última soltura ocorreu em 4 de novembro de 2025, mas as ameaças e a perseguição foram imediatamente retomadas, levando a vítima a uma vida de fuga constante.
“Desde o fim do relacionamento, ela vive em fuga. Este cidadão nunca parou com a perseguição e as ameaças. Ela fugiu para Nova Aripuanã e, em Manaus, precisou mudar várias vezes de bairro para tentar despistá-lo”, relatou a autoridade policial.
O cerco era implacável. Mesmo usando tornozeleira eletrônica em decorrência de prisões anteriores, o homem invadia a residência da ex-companheira e a perseguia. Ele inundava a vítima com áudios aterrorizantes, nos quais prometia queimá-la viva, incendiar a filha e até furar seus olhos, declarando repetidamente não ter medo da prisão.
A última prisão, realizada nesta quinta-feira (8), não foi tranquila. O homem resistiu à abordagem e, na frente dos policiais, reafirmou as ameaças, declarando que voltaria a persegui-la assim que fosse solto. “Na nossa abordagem, ele foi extremamente agressivo. Disse que não existe tempo de prisão capaz de fazê-lo desistir e que, quando sair, irá procurá-la”, contou o delegado Paulo, que acompanhou a ação.
A Justiça concedeu medida protetiva também para a filha da vítima, reconhecendo o risco iminente. O homem permanecerá custodiado e passará por audiência de custódia, enquanto o inquérito é concluído.
A prisão preventiva foi solicitada com base no claro risco de que, em liberdade, o homem tentaria consumar as ameaças de morte, como mostradas em conversas de WhatsApp.








