MANAUS (AM) – Foragida desde que a Justiça acatou as medidas cautelares contra os investigados, Kamila Fernanda Alves de Almeida passou a ser alvo de uma força-tarefa da Polícia Civil do Amazonas. Ex-companheira do tenente da Polícia Militar Osvaldo Lima da Silva, ela é apontada como uma das executoras do plano que tentou forçar a jovem vítima de estupro a mudar a versão apresentada às autoridades.
O caso que desencadeou a ação criminosa veio à tona após a denúncia de que a jovem foi violentada sexualmente durante uma abordagem policial na avenida Torquato Tapajós, bairro Lago Azul, Zona Norte de Manaus, no dia 6 de abril.
De acordo com a investigação, no dia 25 de abril a vítima foi procurada por uma mulher que se fez passar por representante da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A abordagem fraudulenta serviu para convencê-la a entrar em um carro, sob o pretexto de receber assistência jurídica.
A partir dali, a jovem ficou retida por mais de uma hora, circulando por diferentes pontos da cidade enquanto os ocupantes a pressionavam emocionalmente. O trajeto incluiu uma parada na praça do bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste, onde Kamila entrou no veículo e também ajudou a coagir a vítima.
A delegada Patrícia Leão, titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM), detalhou que a partir desse momento a intimidação se intensificou. “Essa mulher passou a ameaçar, intimidar, fazer com que a vítima mudasse seu depoimento para beneficiar o homem”, afirmou durante entrevista coletiva.
Enquanto a ex-companheira do PM continua sendo procurada, o advogado Matheus de Souza Ferreira, responsável pela defesa do tenente, já foi preso. Ele se apresentou espontaneamente na delegacia e, segundo a polícia, colabora com as investigações, fornecendo detalhes que não haviam sido revelados até então.