MANAUS (AM) – Uma operação da Polícia Civil do Amazonas deflagrada na manhã desta quinta-feira (12) prendeu seis pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. Entre os detidos está Ikaro Michel, proprietário do Banco Life, instituição financeira que, segundo as investigações, funcionava como fachada para ocultar a origem ilícita dos valores movimentados pelo grupo.
A Justiça autorizou prisões preventivas, quebras de sigilo telefônico e mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Foram recolhidos celulares, computadores, dinheiro em espécie, nove veículos e armas de fogo, uma delas escondida no alto de uma geladeira na residência do principal alvo da operação.
O delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), explicou que o grupo atuava de forma estruturada, dividido em núcleos, e mirava preferencialmente servidores públicos estaduais com ênfase em tribunais e órgãos oficiais do Amazonas.
A investigação já identificou ao menos cinco vítimas. Uma delas, servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que teve a identidade preservada, contraiu um empréstimo inicial de R$ 5 mil, que, com juros extorsivos, evoluiu para uma dívida milionária. Perdeu duas casas e um veículo.
Em áudios obtidos pela polícia, os suspeitos aparecem ameaçando a vítima de morte, exigindo o “valor integral” e prometendo sequestrar o filho dela. Em uma das gravações, um dos agiotas afirma que vai “metralhar o carro corporativo do Tribunal de Justiça” e fazer “escolta na frente do tribunal” para abordá-la.
A vítima também foi abordada no estacionamento do TJAM e forçada a entrar em um veículo com um dos criminosos.
Banco de fachada
De acordo com a polícia, Ikaro Michel ocupava posição de liderança em um dos núcleos da organização. Para dar aparência lícita à fortuna acumulada com a agiotagem, ele teria criado o Banco Life, instituição usada para escoar, dissimular e integrar ao sistema financeiro os valores obtidos com as práticas criminosas.
O TJAM informou, por meio de nota, que não irá se pronunciar sobre o caso. A defesa de Ikaro Michel afirmou que só se manifestará após ter acesso integral ao inquérito policial.
As investigações prosseguem para identificar outras possíveis vítimas e ramificações do esquema.







