MANAUS (AM) – A advogada Carolina Frota, responsável pela defesa do professor Vinicius Siqueira Figueiredo, de 23 anos, declarou nesta sexta-feira (28) que foram solicitadas às autoridades a realização de exames toxicológicos, avaliação psiquiátrica e análise pericial do aparelho celular do adolescente de 15 anos apreendido após desferir nove golpes de faca contra o educador. A motivação para os pedidos seria uma suposta agressão anterior cometida pelo jovem contra outro docente, no Centro de Manaus.
“Queremos saber o comportamento desse adolescente no ambiente escolar”, afirmou a defensora. A informação, contudo, ainda será apurada pela Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (DEAAI). Uma suposta nota 3 em avaliação na escola teria deixado o garoto aborrecido, mas não foi confirmada pelo agressor como a real motivação.
Segundo Carolina, a intenção é compreender o perfil comportamental do estudante, uma vez que Vinicius relatou que aquele seria apenas o terceiro encontro entre eles e que não havia qualquer justificativa aparente para a violência.
A advogada também informou que as responsáveis pela escola de reforço Exatas Reforço disseram que o jovem frequentava o estabelecimento havia aproximadamente dois anos, sempre com outros professores, sem nunca ter demonstrado conduta hostil.
A defesa pleiteia ainda a perícia no smartphone do menor para verificar se ele participava de comunidades virtuais, como o Discord, onde circulam desafios e “missões” que colocam em risco a integridade física de adolescentes e terceiros.
O professor, que cursa engenharia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e complementava a renda com aulas particulares, apresentou piora no quadro clínico na quinta-feira (27), mas já se encontra estável nesta sexta-feira (28), embora abalado emocionalmente.
“Ele desenvolveu pânico, está com medo de morrer, de ser procurado por esse adolescente. Está sob estresse, é um trauma. Ele viu a morte de perto”, relatou a advogada.
Em relação ao pai do adolescente, docente da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Carolina afirma haver testemunhas que confirmam que ele agiu com omissão, mesmo diante da gravidade da situação.
“O pai buscou o filho, não prestou socorro, retornou à cena do crime para limpar e pegou a faca. O pai não colaborou, não apresentou na delegacia, não prestou socorro”, denunciou.
A internação do jovem foi solicitada e ele foi encaminhado à DEAAI. O caso permanece sob investigação.
Vinicius segue hospitalizado em condição estável no Check Up Hospital, localizado no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul da capital. Ele ainda deverá prestar depoimento à polícia.