AMAZONAS – O prefeito de Coari, Adail Pinheiro, afastado de suas funções, na manhã desta quarta-feira (16), após operação da Polícia Federal (PF), é um importante cabo eleitoral dos senadores Eduardo Braga (MDB), e Plínio Valério (PSDB). Sendo, inclusive, alvo de outra investigação envolvendo emendas destinadas por Plínio para seu município. O caso ganhou proporção nacional por movimentar milhões via pix.
A operação desta quarta-feira, que também atingiu Adail Filho, do mesmo partido de Eduardo Braga, apura suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. A investigação segue em curso. Nem Plínio Valério e nem Eduardo Braga comentaram a Operação de hoje, tão pouco exigiram explicação dos aliados.
A investigação teve início após uma apreensão de, aproximadamente, R$ 1,25 milhão em espécie, em maio de 2025, durante uma viagem de três empresários entre Manaus e Brasília.
Emendas pix
Em paralelo, o ministro Flávio Dino, do STF, encaminhou à PF um pedido de investigação de três emendas parlamentares (emendas pix no valor total de R$ 6.721.425 destinadas ao município de Coari, do candidato a reeleição ao Senado, Plínio Valério.
Originalmente as emendas seriam para a compra de mobiliário para escolas da zona rural, aquisição de equipamentos e insumos de informática para unidades de saúde municipais e para o aluguel de caminhões e máquinas para limpeza pública, além de aquisições de combustíveis e lubrificantes.
Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as emendas, identificou que, há “fortes indícios” de superfaturamento e da não utilização de recursos federais nas contratações realizadas com os recursos das emendas. O caminho percorrido pelos recursos oriundas das emendas pix dificulta, segundo o TCU, o controle da utilização do dinheiro público.
Os R$ 6.721.425 milhões destinados por Plínio Valério foram transferidos para contas de Coari utilizadas para movimentar outras receitas municipais, dificultando a rastreabilidade do uso (execução) dos recursos descrito nas emendas. Ou seja: o STF quer que a PF investigue onde foram usados os recursos e se houve algum tipo de desvio do dinheiro público.
O valor teria como parte da destinação a “eventual aquisição de equipamentos e insumos de informática, visando atender as necessidades das unidades de saúde sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde, conforme Termo Administrativo 1.310/23 do Pregão Presencial 20/23CPL”.