MANAUS (AM) – O docente Vinícius Siqueira, de 23 anos, compareceu nesta segunda-feira (31) à Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (DEAAI), na capital amazonense, para prestar esclarecimentos sobre a violência sofrida dentro de uma sala de aula no último dia 26 de agosto. O educador foi alvo de nove perfurações de faca desferidas por um estudante adolescente de apenas 14 anos.
Ao deixar a unidade policial, Vinícius relatou já conseguir caminhar e retomar parte da rotina, embora ainda sinta desconforto físico. “Eu consigo andar, consigo realizar as atividades. Claro que eu sinto um pouquinho de dor, não é a mesma coisa que antes, mas eu tenho total noção de que foi um milagre”, declarou.
O educador explicou que estava apenas no terceiro ou quarto encontro com o adolescente e que, até então, não havia identificado nenhum indício de que seria alvo de um ataque. “Nunca, em nenhum momento, esperava nada que fosse acontecer”, afirmou.
De acordo com Vinícius, professor e estudante iniciavam o acompanhamento das notas e se preparavam para a segunda prova. Por esse motivo, o docente declarou não conseguir apontar uma razão plausível para a brutalidade. “Não consigo citar nenhuma causa, nenhuma coisa que justifique um ato desse. Eu estava apenas na terceira ou quarta aula com ele”, disse.
Ao recordar o episódio, o professor revelou que chegou a acreditar que não resistiria. “Eu acho que eu lembro de pensar muito que eu ia morrer naquele momento ali, que meus pais iam ficar muito mal”, contou.
O professor chegou a assistir à gravação que flagrou o crime, mas disse ter se arrependido de visualizar as cenas. O docente também admitiu que ainda não decidiu se deseja retomar a profissão.
A advogada Carol Frota, que acompanha o caso, informou que o depoimento desta segunda-feira se limitou aos fatos relacionados ao local do crime. Segundo ela, testemunhas e o adolescente envolvido já foram ouvidos.
Por se tratar de um menor de idade, o processo segue as normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante sigilo quanto à identidade e a dados do jovem.
A defesa do professor acrescentou que a Polícia Civil caminha para a conclusão das diligências e, em breve, deverá encaminhar o relatório final ao Ministério Público. O garoto está apreendido.
A eventual responsabilização dos genitores do adolescente também deverá ser avaliada pelas autoridades, sobretudo diante de relatos sobre uma possível omissão na prestação de socorro após o crime. A advogada frisou que cabe ao Ministério Público verificar se houve negligência ou conivência por parte dos responsáveis.
Enquanto as investigações avançam, Vinícius prossegue em processo de reabilitação, cercado pelo amparo da família.
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