MANAUS (AM) – Uma simples observação pessoal transformou-se em uma avalanche de ódio nas redes sociais. O influenciador indiano conhecido como “Sheik da Índia” tornou-se alvo de uma onda de comentários racistas e xenofóbicos após publicar um vídeo em que comparava a aparência dos moradores de Manaus à população de seu país natal.
Na gravação que desencadeou a polêmica, o criador de conteúdo descreveu uma sensação íntima e afetuosa ao caminhar pelas ruas da capital amazonense. “Me senti como se estivesse na Índia”, confessou ele, ao notar semelhanças nos traços físicos e no tom de pele de parte da população local. Com um tom de genuína admiração e identificação, o influenciador fez questão de ressaltar que a comparação era apenas um olhar pessoal e não imaginava que isso iria ofender os manauaras.
No entanto, o que era para ser um elogio à diversidade brasileira foi recebido com hostilidade por uma parcela dos internautas, amazonenses ou de outros estados. Enquanto alguns receberam a observação com alegria e senso de identificação, outros reagiram com mensagens impregnadas de racismo e xenofobia, disparadas diretamente contra o indiano.
“Nem sou de Manaus, mas tomei como insulto”, disse um dos comentários. A escritora manauara Aritana Tibira refletiu sobre o assunto. “Ele tá sendo atacado por ter pele escura e por vir de um país onde alguns brasileiros têm o imaginário negativo sobre. Será que se fosse um europeu, branco, loiro, receberia o mesmo ataque?”.
Profundamente abalado com a repercussão negativa, o influenciador gravou um novo vídeo carregado de desabafo e tristeza. Ele lamentou que as ofensas tenham se alastrado para outras publicações em portais de notícias e revelou que o episódio contaminou até os planos de conteúdo que tinha para a viagem ao Brasil.
“A maioria dos comentários são racistas e xenofóbicos, sendo que estou elogiando o Norte do país e dizendo que me sinto em casa por se parecerem comigo. Estou viajando com a minha mãe e não estou postando com ela por causa disso”, declarou, com evidente mágoa. E completou, como um lembrete amargo e necessário: “É um país onde o racismo é crime”.







