MANAUS (AM) – O policial militar Márcio Roberto Ribeiro Coutinho, conhecido nas ruas pelo apelido de “Cara de Sapato”, foi apontado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) como uma das engrenagens mais brutais da organização criminosa desmantelada pela Operação Usura na manhã desta segunda-feira (27). Sua função no esquema, conforme investigação, era transformar cobranças abusivas em acertos de contas regados a medo e ameaças.
As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Polícia Civil, revelaram que o PM não se limitava a telefonemas ou recados. Ele comparecia pessoalmente aos locais onde estavam as vítimas. “Cara de Sapato” chegou a realizar, segundo apuração, cobranças ostensivas dentro do próprio Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), onde servidores públicos endividados eram abordados e ameaçados em pleno ambiente de trabalho.
A prisão preventiva de Márcio Roberto, ocorrida na última quarta-feira (22), foi o primeiro golpe antes da deflagração da fase principal da operação. Ele agora figura como um dos 24 investigados em um esquema que atingia, principalmente, servidores públicos com empréstimos que alcançavam a cifra de R$ 200 mil e juros extorsivos de 30% a 70% ao mês.
A Operação Usura, coordenada pelo promotor André Epifânio com suporte do coordenador do Gaeco, Leonardo Tupinambá, cumpriu nesta segunda-feira dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores. Três advogados também estão sendo investigados.
Um dos alvos com mandado de prisão segue foragido. Durante as buscas, duas pessoas foram presas em flagrante, uma delas por desacato. Enquanto isso, o Ministério Público segue rastreando o submundo financeiro criado pelo grupo.




