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Vídeo: Mulher negra que era escravizada chora ao segurar mão de repórter branca

Madalena foi resgatada após 54 anos em trabalho análogo à escravidão. Foto: Reprodução

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SALVADOR (BA) – Durante uma reportagem sobre trabalho escravo na Bahia, uma cena com Madalena Silva, mulher negra resgatada de trabalho análogo à escravidão chamou a atenção. Ela confessou à repórter Adriana Oliveira que estava com medo de pegar na sua mão, por ser branca. O momento foi exibido no Bahia Meio Dia, emissora afiliada da Globo, nesta quarta-feira (27).

“Fico com receio de pegar na sua mão branca”, desabafou Madalena. “Mas por quê? Tem medo de quê?”, indagou a repórter, estendendo as mãos. “Por que ver a sua mão branca… eu pego e boto a minha em cima da sua e acho feio isso”, explicou ela. “Sua mão é linda, sua cor é linda. Olhe para mim, aqui não tem diferença. O tom é diferente, mas você é mulher, eu sou mulher. Os mesmos direitos e o mesmo respeito que todo mundo tem comigo, tem que ter com você”, destacou a jornalista, que ainda deu um abraço em Madalena.

Madalena Silva foi resgatada em março de 2021 após passar 54 dos 62 anos de vida sendo escravizada por uma família. Morando atualmente em Lauro de Freitas, a doméstica não recebia salário, era maltratada e sofria com roubos da filha dos ex-patrões, que chegou a fazer empréstimos em seu nome e se apossar de R$ 20 mil sua aposentadoria.

O momento comoveu telespectadores e foi bastante comentado na web. Nas redes sociais, Adriana Oliveira declarou que o momento foi um dos mais emocionantes de sua carreira. “Ainda estou impactada com o encontro com Dona Madalena. Ela foi vítima de uma violência brutal por 54 dos 62 anos de vida. E dentro de uma casa “de família” foi submetida à condições análoga à escravidão. Ela foi resgatada, em março, por auditores do Ministério do Trabalho”, escreveu.

A jornalista também desabafou sobre estarmos em 2022 e ainda termos de tratar de temas como a escravidão. “Me senti tão pequena, tão impotente diante da dor de Dona Madalena. Vontade de acolher e nunca mais ter notícia de monstruosidades assim”.

Colaboração para o Expresso AM, em Manaus:

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