ÁGUAS LINDAS – Um técnico de enfermagem foi preso em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, sob suspeita de ter provocado a morte de pelo menos três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. A prisão integra a Operação Anúbis, deflagrada em 11 de janeiro de 2026, mas divulgada apenas na última segunda-feira (19).
O principal suspeito, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, foi detido em sua casa. Também foram presas as técnicas de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, acusadas de auxiliá-lo diretamente ou de negligência.
As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e foram inicialmente registradas como naturais. A suspeita surgiu após a repetição de paradas cardíacas súbitas em pacientes atendidos pelo mesmo profissional em leitos próximos. O hospital iniciou uma apuração interna e notificou a polícia.
Segundo as investigações, Marcos Vinícius aplicava altas doses de medicamentos sem diluição adequada, além de outras substâncias como desinfetantes, diretamente na veia das vítimas. Ele teria monitorado os sinais vitais e realizado manobras de reanimação em seguida, simulando tentativas de salvamento para ocultar o crime.
Em um dos casos mais graves, a paciente Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, resistiu a seis paradas cardíacas, o que teria levado o suspeito a aplicar mais de dez injeções de desinfetante na mesma vítima em apenas um dia.
O técnico também teria acessado ilegalmente o sistema hospitalar usando contas de médicos para emitir receitas falsas, retirar medicamentos da farmácia e ocultá-los no jaleco antes das aplicações. As seringas eram descartadas em lixo comum, violando protocolos de segurança.
As outras duas técnicas são suspeitas de terem vigiado as portas dos quartos durante as aplicações, dificultando a entrada de terceiros. Uma delas era amiga antiga de Marcos Vinícius; a outra, recém-contratada, seguia suas orientações.
Inicialmente, os três negaram as acusações, mas dois confessaram após serem confrontados com imagens do circuito interno do hospital. A motivação, porém, não foi apontada. Uma das hipóteses seria alguma parceria com uma funerária, onde eles ganhariam uma porcentagem.
As vítimas identificadas até o momento são a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, e os servidores públicos João Clemente Pereira, de 65 anos, e Marcos Moreira, de 33 anos.
O Hospital Anchieta informou que, ao notificar eventos atípicos, instaurou um comitê interno de análise, que em menos de 20 dias reuniu provas contra os profissionais. Os três foram demitidos, e as autoridades e famílias foram comunicadas.
O caso é investigado como homicídio qualificado, e a polícia não descarta que haja mais vítimas, inclusive em outras unidades onde os envolvidos tenham trabalhado. Não há indícios de que os crimes tenham sido cometidos a pedido de pacientes ou familiares.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) afirmou que acompanha o caso e tomará as medidas cabíveis, reafirmando seu compromisso com a ética profissional e a segurança dos pacientes.







