MANAUS – Criado como modelo de desenvolvimento do Amazonas e com forte apelo ambiental, a Zona Franca de Manaus pode ser responsável, em breve, pelo aumento do desmatamento em Manaus. Sob o selo de que manter o Polo Industrial em Manaus ajuda a deixar a floresta em pé, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) pode abrigar 200 novas empresas em uma das últimas reservas de mata da capital.
Tudo depende apenas de aceitar a proposta de instalar essas empresas na área verde do entorno do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, que hoje é comandada pela Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, sob gestão do conglomerado estrangeiro chamado grupo VINCI Airports, sob as ordens do CEO Kleyton Mendes.
São 8 milhões de metros quadrados de floresta em risco que foram oferecidas à Suframa, que pressiona por uma mudança no Plano Diretor de Manaus, o que precisa passar pelo Legislativo e pode ser alvo de contestações no Judiciário, caso o projeto siga em frente, semelhante ao que ocorre na BR-319.
MODELO DE DESENVOLVOMENTO X MODELO DE DESMATAMENTO
Criada nos anos 1960 para alavancar o desenvolvimento do Norte do Brasil, até então isolado, o modelo ZFM se coloca sob risco de perder seu maior argumento caso essa iniciativa vá em frente.
Este ano, a ocorrência de um Super El Niño pode provocar chuvas acima do normal no Sul do Brasil e secas no Nordeste e no Norte, principalmente na Amazônia.
Espera-se que uma seca avassaladora cubra o Amazonas no segundo semestre, resultado de impactos ambientais que castigam cada vez mais a região, levando doenças, fome, e gastos exorbitantes do dinheiro público em socorro, além da destruição do bioma.
As Nações Unidas apontam 80% de chance de o fenômeno ocorrer entre junho e agosto, com persistência até novembro. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, com temperaturas pelo menos 0,5°C acima da média por um período prolongado.
Desmatar 8 milhões de metros quadrados de área verde em Manaus, certamente não está entre as medias que vão colaborar para mitigar os danos.