MANAUS – O Ministério Público Eleitoral (MPE), no Amazonas está questionando um dos princípios básicos da Constituição, exigindo que portais de notícias do Estado quebrem o sigilo da fonte e revelem como conseguiram informações sobre a prisão do suspeito Rodrigo Cesar Campelo Soares, que se apresentou como coordenador da campanha de Maria do Carmo Seffair (PL), e foi detido por tráfico portando material de campanha da candidata ao Governo do Amazonas, de quem se apresentava como coordenador de campanha.
O pedido feito de forma oficial por meio do Ofício 174/2026/PRE-AM, datado em 15 de setembro pelo procurador regional eleitoral no Amazonas, Edmilson da Costa Barreiros Júnior. O MPE pede acesso, em cinco dias, de que forma as informações foram apuradas, incluindo a origem da notícia.
DIREITO CONSTITUCIONAL
De acordo com a Constituição, o sigilo da fonte é uma garantia prevista no artigo 5º, inciso XIV, considerado um pilar da democracia, por se tratar da liberdade do exercício do Jornalismo.. O ato do MPE foi provocado pela própria candidata, que apesar de sustentar o discurso de direita pregando a liberdade, contesta frontalmente o artigo constitucional.
A prisão do apoiador da candidata Maria do Carmo foi publicada por toda a imprensa amazonense, com direito à coletiva e release oficial elaborada pela Secretaria de Segurança Pública em 4 de setembro.
Além disso, a SSP convocou uma coletiva de imprensa para tratar sobre o assunto, distribuindo, ainda, os vídeos realizados no local da prisão e apreensão de drogas, onde estavam o material da candidata.
Apesar disso, o MPE pede “arquivos originais de texto, imagem e vídeo que deram origem à referida publicação, acompanhados dos respectivos metadados”, mais uma vez, configurando quebra de sigilo da fonte, nos termos da Constituição.
A PRISÃO
A Polícia Civil prendeu Rodrigo Soares, conhecido como RC Soares, na sexta-feira (4) com 2,5 toneladas de drogas. Ele se apresentou nas redes sociais como coordenador de campanha da candidata Maria do Carmo Seffair (PL).

De acordo com a PC, Rodrigo era investigado há dois anos, desde que o irmão dele também foi preso por tráfico. No local onde ele foi preso, além da droga, foi encontrado material de campanha de Maria do Carmo canhotos com nomes e fotos de títulos de eleitores.

A droga vale R$ 50 milhões e seria enviada para o Nordeste. De acordo com o delegado Rodrigo Torres, titular do Denarc, as provas do crime de tráfico são contundentes. Logo após a prisão, RC Soares apagou as redes sociais dele.
LAÇOS REGISTRADOS EM FOTOS
Mas no perfil da candidata Maria do Carmo, há uma foto dele com ela, reforçando o vínculo entre ambos. A apreensão da droga e dos canhotos de título e material de campanha foram apreendidos Instituto União, de propriedade dele, no bairro Aleixo, em Manaus.

“O Rodrigo, o principal alvo, é uma pessoa muito influente por onde ele passa, mas ele não tinha um trabalho desenvolvido nesse sentido para ajudar a comunidade. Ele fundou recentemente um instituto, e aí sim a gente está investigando para ver como funcionava e como ele se mantinha”, afirmou o delegado.
Veja abaixo o ofício do MPE:







