FLORIANÓPOLIS (SC) – O desaparecimento da corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, mobiliza familiares e a Polícia Civil de Santa Catarina. Natural do Rio Grande do Sul e moradora de Florianópolis desde 2022, ela não é vista desde o dia 4 de março. A família registrou o caso na última segunda-feira (9), após dias de angústia diante de mensagens suspeitas enviadas pelo celular da mulher.
A irmã de Luciani, Ariane Estivalet, que vive em Canoas (RS), relatou à imprensa que o comportamento da corretora mudou de forma abrupta no dia do desaparecimento. Antes muito participativa em um grupo de mensagens da família, Luciani passou a responder de maneira monossilábica, com a escrita errada das palavras e com longos intervalos.
“Notamos que ela começou a falar diferente, com palavreados bagaceiros, com muitos erros de português e muita ironia”, contou Ariane, reforçando que a família tem certeza de que outra pessoa está usando o aparelho da irmã.
As tentativas de ligação de voz ou vídeo eram ignoradas ou respondidas com promessas vagas, como “quando eu chegar em casa eu te ligo”. No aniversário da mãe, Luciani, que tradicionalmente fazia questão de ligar, limitou-se a enviar um GIF. Ainda conforme a família, ela passou a tratar a mãe por “você” e não “senhora”, como de costume.
A pessoa que estaria usando o celular de Luciani chegou a publicar imagens antigas dela no status do aplicativo de mensagens, com legendas que sugeriam afastamento voluntário, como “estou vivendo a minha vida no off”. Os familiares reconheceram as fotos.
Em determinado momento, receberam um áudio com a voz da corretora, mas desconfiaram da origem. “A gente viu que a voz dela estava bem no fundo, um áudio regravado”, explicou a irmã. A mensagem de texto que acompanhava o áudio afirmava que Luciani estaria em um motel, comportamento que a família considera totalmente atípico.
“Mesmo ela estando num motel, ela ia dizer ‘oi gente, tô bem, tá tudo bem’, mas ela não ia dizer que estava num motel”, afirmou Ariane.
Diante da sequência de inconsistências, a família concluiu que não era Luciani quem se comunicava. “Eu falei: ‘mãe, não é a Lu que tá falando, alguma coisa tá acontecendo'”, recordou Ariane. “Não dormimos mais direto. Minha mãe está à base de remédio”, desabafou.
A Polícia Civil investiga agora se um corpo encontrado esquartejado na tarde de quarta-feira (11) em Major Gercino, no Vale do Itajaí, é o da corretora. A Polícia Científica esteve no local para coleta de vestígios, e os materiais estão sendo submetidos a exames laboratoriais, incluindo exames de DNA.
A Polícia Civil não detalhou a linha de investigação nem informou se há suspeitos identificados até o momento.







