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Home Polícia

Condenado a 46 anos de prisão, ex- PM é acusado de matar 21 amigos

Expressoam Por Expressoam
14 de dezembro de 2019
no Polícia
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Foto: Mariana Nogueira/ O Tempo

Foto: Mariana Nogueira/ O Tempo

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Contagem- MG| Laércio Soares de Melo, 55, foi expulso da Polícia Militar no ano passado por ser considerado pela Polícia Civil como um psicopata violento. O ex- PM é suspeito de matar pelo menos 21 amigos próximos e desaparecer com os corpos. Os crimes aconteceram em diferentes épocas em Montes Claros, no Norte do Estado de Minas Gerais. Segundo a Polícia Civil, Laércio sempre fazia o mesmo procedimento com as vítimas: negociava algum bem, executava com tiro na nuca, desaparecia com o corpo e consolava os familiares das vítimas. O ex-cabo foi condenado a mais de 46 anos de prisão pelas mortes e desaparecimentos de dois homens e, na última quinta-feira (12), foi preso preventivamente no bairro Industrial, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. 

O suspeito já possui condenação, desde 2014, pelo homicídio de Francisco Santos Filho, o “Chiquinho Despachante”, que desapareceu no dia 30 de dezembro de 2009 e, até hoje, não foi encontrado. A vítima teria saído para um sítio na companhia do ex-PM para fechar um negócio. Melo foi condenado em júri popular a 14 anos de prisão pelo crime, chegou a ficar detido em quartéis da PM, mas, atualmente, cumpria a prisão domiciliar. Ele vivia com uma tornozeleira eletrônica e afirmou à polícia que trabalhava com serviços gerais.

O mandado cumprido nessa quinta-feira (12), em Contagem, por sua vez, diz respeito a morte de Gilberto Martins, de 33 anos, pela qual Melo foi condenado a cumprir 31 anos de prisão por latrocínio e ocultação de cadáver. O comerciante desapareceu no dia 27 de junho de 2003 e o corpo dele foi encontrado dois anos depois, a 200 quilômetros da cidade, queimado e com uma marca de tiro na nuca. 

De acordo com as investigações, o ex-PM cometia os crimes por inveja de bens alheios. As execuções aconteciam sempre após uma negociação material, como venda ou troca de veículos e imóveis. Os corpos encontrados tinham marcas semelhantes. Todas as 21 vítimas dos crimes investigados eram próximas de Melo. 

“A motivação era a cobiça pelos bens alheios. Ele se aproximava das pessoas, fazia amizade, negociações e, depois, abatia essas vítimas para adquirir esse patrimônio. Ele passava confiança para essas pessoas e elas se sentiam confortáveis em transferir os bens para ele. Certamente ele fazia alguma promessa de um bem posterior, mas depois que ele estava com esse bem, ele ceifava a vítima. A Polícia Civil fez um levantamento dos crimes na região e conseguiu ver a ligação dos dois crimes, de 2009 e 2003, e não só esses dois”, afirmou o delegado Wagner Sales.

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Foto: Mariana Nogueira/ O Tempo

O ex-PM, por outro lado, era muito conhecido em Montes Claros. Ele chegou a ser eleito vereador após os crimes e foi candidato a deputado federal. De acordo com a polícia, contudo, o homem tem um perfil psicopata. “O inquérito policial trouxe essa informação do perfil psicopata, do perfil frio desse indivíduo que não respeita a vida humana, não respeita a dor alheia. Após o desaparecimento da vítima ele comparecia a casa das famílias, se colocava para consolar as famílias, para ajudar nas buscas pelos desaparecidos, sendo que ele era o autor dos homicídios”, afirmou o delegado. 

Laércio Melo se mudou para Contagem em janeiro deste ano e trabalhava como prestador de serviços gerais para uma família. Em dezembro do ano passado ele foi expulso da PM, após o processo de afastamento. “Como era profissional da ativa da Polícia Militar, ele cumpria a pena no quartel da PM. Esteve preso em Montes Claros, foi transferido para Belo Horizonte e depois para Contagem. Agora, como é ex-policial militar, vai ser encaminhado ao sistema prisional”, disse o delegado Wagner Sales.

O lado do suspeito 

Durante a coletiva de imprensa marcada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (13) em Belo Horizonte, Laércio Melo afirmou que desejava fazer um posicionamento. Na sala com os jornalistas, deu bom dia a todos os presentes, agradeceu pela oportunidade e se posicionou em frente às câmeras. Na visão dele, a situação é clara: há perseguição por parte da polícia. Em relação às duas condenações, o ex-PM afirmou que não se pode comprovar as duas mortes.

“Acredito tranquilamente que o Chiquinho possa estar vivo, porque ainda não existe nada que configure a morte dele. Já houver casos de o Chiquinho sair do país sem comunicar a família, toda a população de Montes Claros sabe disso. Essa versão é totalmente criada no inquérito. Quem conheceu Chiquinho sabe que ele tem negócios com várias pessoas e que nunca teve problema pessoal comigo. O Gilberto desapareceu em 2003 e, em 2008, eu fui candidato a vereador em Montes Claros. Fui o militar mais votado de Minas Gerais, tirando o cabo Júlio. Em 2010 eu fui candidato a deputado federal. Isso incomodou muita gente devido a expressiva votação que eu tive. Gera um certo desconforto e uma rivalidade política. Dizem que o corpo que encontraram é do Gilberto, mas eu não acredito. Os dois eram meus amigos de infância. É bandidagem falar que eu seria autor de 21 homicídios. O delegado (Rodrigo Bossi, à frente do caso na época) floreou esse inquérito. Eu não tenho provas para dizer que financeiramente ele obteve alguma vantagem, mas a família do Chiquinho tem enorme interesse em um atestado de óbito judicial, então entendam da forma como quiserem”, afirmou.

O ex-cabo, contudo, disse que a justiça será feita e que está recorrendo da decisão da PM de expulsá-lo da corporação. “Decisão judicial a gente não questiona, a gente cumpre. Muitas vezes o Judiciário é induzido ao erro devido à parte podre da Polícia Civil. Essa vida é passageira, cabe a esse delegado se retratar. Me sinto totalmente injustiçado, mas acredito que esse delegado ainda vai se pronunciar e declarar alguma coisa que comprova o que ele fez nos inquéritos. Estou com a consciência tranquila e recorrendo da decisão da PM”, finalizou. 

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