MANAUS – O candidato do partido Missão à Presidência da República, Renan Santos, e o deputado federal Kim Kataguiri, do mesmo partido, estão dando entrevistas dizendo que, se chegaram ao Palácio do Planalto, irão acabar com a Zona Franca de Manaus. Os dois disseram em entrevistas distintas, que o modelo sacrifica o Brasil para beneficiar o Amazonas.
Renan disse à CNN que Manaus não pode abrigar fábricas que poderiam estar em outros estados, às custas de benefícios fiscais. “Vai fazer moto em São Paulo, em Minas, vai fazer na Bahia, onde tem mercado consumidor. Não faz sentido fazer num lugar que é logisticamente distante”, afirmou.
Para ele, nem os empregos nem o faturamento do Polo de Manaus justificam a manutenção do modelo, que ainda tem apelo ambiental por gerar riqueza sem destruir a floresta. “Preciso cortar R$ 250 bilhões em despesas do governo e isso vai vir da revisão de renúncias fiscais”.
DEPUTADO DO MISSÃO ASSINA EM BAIXO
Cotado para ser o “super ministro” de um eventual Governo Renan Santos, o deputado federal Kim Kataguiri também foi na mesma linha do chefe. Disse que Manaus precisa mudar o modelo de desenvolvimento econômico e buscar renda em biotecnologia.
O parlamentar é assessor econômico de Renan. “A gente tá pagando para ter ineficiência”, dispara Kim, que promete um período de transição, mas não explica como isso seria feito.
A fala do deputado foi gravada em uma entrevista à Folha de São Paulo. “Ninguém é maluco de destruir todos os empregos que existem lá hoje sem fazer transição”.
NÚMEROS INCONTESTÁVEIS
Em agosto deste ano, o Conselho de Administração da Suframa (CAS) realizou no auditório da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a 324ª Reunião Ordinária. Presidido pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.
O encontro reuniu autoridades federais, estaduais e municipais, bem como lideranças empresariais e representantes de entidades de classe e órgãos governamentais, para discutir investimentos estratégicos, avaliar os números do Polo Industrial de Manaus (PIM) e debater caminhos para a sustentabilidade, a inovação e a desburocratização na Amazônia Ocidental e no Amapá.
Indo de encontro à tese de Renan e Kim.
Um dos principais destaques da reunião foi a aprovação de 25 projetos industriais e de serviços, que estimam investimentos totais de R$ 335,30 milhões e a geração de 859 novos postos de trabalho em até três anos na Zona Franca de Manaus. Subsetores representativos da indústria regional – como o Eletroeletrônico e o Mecânico – concentraram a maior parte das propostas, reforçando o adensamento tecnológico do PIM.
Em seu pronunciamento, o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, enfatizou o compromisso do Governo Federal com o destravamento de processos e a ampliação da infraestrutura produtiva na região. Diante de demandas relacionadas a Processos Produtivos Básicos (PPBs), o ministro anunciou uma força-tarefa imediata. “Contem conosco para tentar resolver os problemas e não alimentá-los. Temos hoje pedidos de PPPs aguardando análise e assumo o compromisso de que teremos uma resolução, uma força-tarefa nas próximas semanas”, declarou.

O ministro também confirmou articulações avançadas para a implantação do Polo Industrial número 4, na zona Leste de Manaus, com o objetivo de assegurar a expansão física do PIM de forma integrada ao sistema viário do entorno.
Outro ponto central foi a priorização da regionalização do crédito no âmbito da Nova Política Industrial, buscando ampliar a fatia de recursos direcionados à Região Norte para fomentar a economia verde e o complexo industrial da saúde e da bioeconomia.
Sustentabilidade
A pauta ambiental também ganhou destaque com a presença do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que ressaltou, em seu pronunciamento, a sustentabilidade como um ativo econômico real. O ministro destacou, ainda, os avanços na governança socioambiental para o asfaltamento da rodovia BR-319 e o potencial de negócios voltados à bioeconomia. “O PIB do Amazonas apresentou um crescimento de 4,4%, enquanto o desmatamento no Estado registrou queda de quase 47% no último ano. É a prova de que o Brasil e o estado do Amazonas podem se desenvolver de forma sustentável”, afirmou Capobianco.
Avanços contínuos
O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, celebrou a solidez e o avanço contínuo do modelo Zona Franca de Manaus, não apenas pela ampliação da segurança jurídica proporcionada pelos novos cenários da Reforma Tributária, mas também pelos patamares expressivos de faturamento e geração de empregos do PIM, que apresenta uma média de cerca de 131 mil postos de trabalho diretos.
Montenegro anunciou também que a Suframa está finalizando um estudo estratégico focado na criação de indicadores ambientais para a ZFM. A iniciativa busca mensurar formalmente as externalidades positivas de um modelo que mantém preservada mais de 97% da cobertura vegetal em seu entorno.




