O senador e candidato à reeleição Eduardo Braga (MDB) saiu em defesa da Âmbar Energia após moradores e comerciantes de Manaus reclamarem de apagões, oscilações de energia e prejuízos causados por problemas no fornecimento. Braga afirmou que a empresa assumiu a operação recentemente e que parte dos problemas vem da situação deixada pela antiga Amazonas Energia.
A defesa chamou atenção porque Braga declarou à Justiça Eleitoral, nas eleições de 2026, ter 9.800 ações da JBS N.V., avaliadas em R$ 749.980,77. A JBS pertence à J&F Investimentos, grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que também é dono da Âmbar Energia.
Além das ações da JBS, Braga já declarou em anos anteriores outros investimentos e participações em empresas. Entre os nomes que aparecem relacionados ao patrimônio estão Vale e Equatorial, enquanto a Âmbar Energia aparece na relação empresarial do grupo J&F, e não como uma participação comprovadamente registrada em nome do senador. Por isso, os investimentos precisam ser separados da relação de controle das empresas.
Durante a defesa da Âmbar, Braga afirmou que a empresa terá de investir cerca de R$ 14 bilhões no Amazonas e criticou a antiga gestão da Amazonas Energia. O senador disse que a atual concessionária assumiu o sistema há poucos meses e que não pode ser responsabilizada sozinha pelos problemas encontrados.
Enquanto isso, consumidores continuam relatando prejuízos. Durante uma entrevista, uma apresentadora afirmou que perdeu uma placa de vídeo avaliada em cerca de R$ 5 mil após problemas no fornecimento de energia. Braga orientou que ela procurasse seus direitos na Justiça, mas ela respondeu que muitas pessoas não têm condições financeiras para entrar em uma disputa judicial.
A situação também chegou ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), que recomendou a suspensão, por 30 dias, da troca da fiação em Manaus após reclamações sobre oscilações, interrupções, curtos-circuitos e incêndios. A ligação entre a JBS e a Âmbar coloca os investimentos declarados por Braga no centro dos questionamentos, mas a posse de ações da JBS não prova que o senador seja dono ou cotista da Âmbar, nem comprova qualquer irregularidade.







