MANAUS (AM) – A Justiça do Amazonas determinou que Camila Barroso da Silva, antiga empregadora de Geovana Costa Martins, e Antonio Cheton Lopes de Oliveira sejam levados a júri popular pela morte da jovem de 20 anos. A vítima, que atuava como babá na residência de Camila, foi localizada sem vida em agosto de 2024, numa região de mata no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus.
As apurações conduzidas à época indicaram que Geovana teria enfrentado agressões e exploração sexual enquanto prestava serviços na casa da suspeita. A polícia também investigou a possível participação de outros envolvidos. O caso ganhou grande repercussão depois que o corpo da moça foi achado com marcas de violência e a patroa acabou detida como principal suspeita.
Passados dois anos, o processo encontra-se na etapa preparatória para o julgamento. Ainda não há definição sobre a data em que o Tribunal do Júri será realizado.
Conforme a 2ª Vara do Tribunal do Júri, o caso está na segunda fase, que antecede a sessão em plenário.
Em 28 de abril de 2026, o Poder Judiciário emitiu a decisão de pronúncia contra Camila Barroso da Silva e Antonio Cheton Lopes de Oliveira.
A pronúncia não representa condenação. Nessa fase, a Justiça apenas reconhece que há indícios suficientes para que a denúncia seja avaliada pelo Conselho de Sentença, composto por jurados.
Após o encerramento dos prazos recursais, a decisão transitou definitivamente em 28 de julho de 2026. A certidão que formaliza o fim dessa etapa foi lavrada em 10 de agosto.
O Ministério Público já apresentou sua lista de testemunhas.
Depois de concluídas essas providências, o juízo poderá agendar a sessão do Tribunal do Júri. Será nessa ocasião que os jurados decidirão se os acusados são criminalmente responsáveis pelos fatos descritos na acusação.
O caso
Geovana Costa Martins tinha 20 anos e trabalhava como babá na casa de Camila Barroso, no bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus.
De acordo com a investigação policial divulgada à época, a jovem teria sido levada ao imóvel com a promessa de emprego como cuidadora, mas acabou submetida a um regime de exploração sexual, sendo obrigada a se prostituir. A polícia relatou ainda que a vítima era impedida de sair da residência e que outras mulheres também circulavam pelo local.
As apurações apontaram que a moça teria sofrido violência física antes de ser assassinada. O corpo foi achado em área de mata no Tarumã, Zona Oeste da capital, após o desaparecimento dela.
Camila foi presa em 28 de agosto de 2024, depois que os investigadores reuniram indícios que, segundo a polícia, apontavam sua participação no crime. Na ocasião, ela negou envolvimento na morte.
As investigações também citaram Eduardo Gomes da Silva como suspeito de participação no assassinato. De acordo com a polícia, um automóvel ligado a ele teria sido usado para transportar o corpo da vítima.
A motivação do crime também foi alvo de apuração. Entre as hipóteses consideradas na época estavam a possibilidade de Geovana ser levada para fora do país e utilizada no transporte de drogas, além da suspeita de exploração sexual.
Essas informações constam da investigação policial realizada na época e não representam, isoladamente, uma condenação dos acusados.
Com a pronúncia já definitiva, Camila Barroso e Antonio Cheton Lopes de Oliveira serão submetidos ao Tribunal do Júri.
A Justiça ainda precisa concluir os procedimentos preparatórios antes de definir a data da sessão. Até o momento, não há previsão para o julgamento.




